sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Reino Fungi e a Jovem Guarda

Sidney Filho


Com um toque muito forte da Jovem Guarda, a banda de Joinville (SC) Reino Fungi acabou de lançar CD, "Reino Fungi e o Chá Dançante", pelo selo goiano Allegro Discos (www.allegrodiscos.com.br), está pronta para conquistar o mercado nacional independente. Os músicos Tiago (vocalista, compositor e guitarra solo) Vitor (vocalista, composito e baixo), Plank (vocalista e guitarra base) e Hugues (compositor e baterista) participaram dessa entrevista para o jornal Amazônia Hoje e contaram detalhes da cena musical catarinense, mas também sobre o que eles conhecem das bandas paraenses. Mais informações sobre a banda no site www.reinofungi.com.br.

A banda Reino Fungi é de Santa Catarina, mas precisamente de Joinville. Bem como é a cena de lá? Quais bandas vocês poderiam destacar do resto do sul do País?

A cena de Joinville tem aos poucos entrado em um período de consolidação, com o surgimento de novas bandas e alternativas para a promoção de eventos onde estes músicos possam mostrar o trabalho desenvolvido. Joinville é a maior cidade do estado de Santa Catarina, colonizada por europeus, muitos dos costumes ainda são característicos à esta cultura, e isso inclui certamente o apreço pela música e diversas outras manifestações artísticas. O clima das cidades sulistas também exerce certa influência neste aspecto, se considerarmos que nos tempos de frio, é natural o encontro em casa para discussões, e confraternizações que contribuem para o surgimento de novas idéias, para ouvir discos(preferencialmente vinil), tocar músicas, etc.Sobre as bandas, podemos destacar Faichecleres e Dissonantes, bandas de Curitiba, Identidade, Locomotores e Júpiter Maça, todas de Porto Alegre, Os Depira e Lopez, de Joinville, existem ainda outras, mas listá-las daria muito trabalho! Existe por exemplo a gaúcha Cachorro Grande, ótima banda que já despontou no restante do país. Todas estas bandas citadas acima mantém um relacionamento musical muito similar, além da proximidade cultural, influência decorrente dos hábitos da região sul.

A banda tem como característica um som voltado para a Jovem Guarda. De onde surgiu todo esse interesse e que acabou se tornando uma influência forte no som da banda? Ainda existe um público interessado na Jovem Guarda, no Brasil?

Antes de mais nada somos amantes da música, para nós existem dois tipos de música, a boa e a ruim. Todos nós conhecemos as músicas do movimento musical Jovem Guarda através dos discos dos nossos pais, ainda na infância, e portanto eles tornaram-se uma espécie de referência musical especial em nossa criação como pessoas - por estarem sempre muito próximos e ligados. É sem dúvida inevitável que haja uma influência latente na sonoridade e timbre da Reino Fungi, como se fosse um "sotaque" baseado neste som de que tanto gostamos. Sempre fará parte das nossas coleções e gostamos muito de ouvir, de tocar. Mas provavelmente no próximo disco, ainda em fase de criação das músicas, nos utilizemos de outros recursos baseados no que temos ouvido ultimamente, sons já admirados por nós, mas agora de fato observados com mais atenção, como bossa-nova, jazz, tropicália, big bands, garage e punk - tudo isso mesclado com o rock característico da Reino.Quanto haver público para a Jovem Guarda ou para o estilo Jovem Guarda, acreditamos que sim, sempre haverá público para este tipo de som, pois o tempo não apaga a qualidade, quando de fato há, e paradoxalmente, com o surgimento cada vez mais maciço de música comercial, pode haver uma tendência ainda maior de buscar músicas de uma era menos pretensiosa, mais artística e inegavelmente mais romântica.Já participamos de diversos shows com artistas da Jovem Guarda (Renato e seus Blue Caps, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani, Lilian, Eduardo Araújo, Sylvinha), sempre com público com idade variando de 12 a 70 anos, isso é muito bacana.Nossa geração vive um momento lindo, com a internet podemos montar a nossa rádio em casa, escutamos o que gostamos, então existe e existirá cada vez mais público para todos os estilos musicais e para o nosso rock Brazuca.

Quais são os planos para este ano?

Para o ano de 2007 a intenção da banda é expandir a divulgação do nosso segundo disco "Reino Fungi e o Clube do Chá Dançante", para o público de outras regiões do país, preparando-se para atuar ainda mais em São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades, além de continuar com o processo constante de criação e pesquisa musical. Através de São Paulo e Rio, planejamos alcançar uma maior projeção que nos levará às demais cidades do Brasil, aliás esperamos tocar em breve em estados do norte e nordeste, pois certamente será uma grande satisfação para nós.
Quais bandas paraenses vocês conhecem? Do cenário musical do Pará, dentro do rock, já ouvimos falar e até ouvimos certa vez um material sobre uma banda chamada Mosaico de Ravena, e também de Norman Bates, cujo nome é do personagem principal de um dos grandes filmes do diretor Hitchcock. O som dessa banda remetia à uma mistura que lembrava alguma coisa "groovy", pesado com funk, uma coisa interessante.Tomara que haja em breve um intercâmbio entre estas bandas com as bandas do Sul!

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